quinta-feira, setembro 30, 2010

Coisas Estranhas de Brasília 6

* Em 2007, no dia mais quente que passei em Belo Horizonte, me lembro de ter comentado aqui no blog sobre um enxame de cupins que tomou conta da cidade. Pois bem, na última segunda-feira, nessa semana que é a mais quente que passei em Brasília até agora, tivemos um enxame daquelas mosquinhas que vivem ao redor de frutas. Na manhã seguinte, elas morreram misteriosamente, e todo o chão do nosso apartamento ficou coberto por centenas de pequenos cadáveres.

* Na terça-feira, aconteceu uma tempestade de areia sobre a Esplanada dos Ministérios. Ali pelas 16 horas, o céu ficou vermelho (coisa de filme, mesmo) e um vento muito forte começou a sobrar, arrastando barro seco de cor avermelhada, folhas secas e cinzas de queimadas. O fenômeno era desconhecido até mesmo para os naturais de Brasília. Teve gente que achou que era o fim do mundo.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Breve Panorama Político para o Brasil Pós-Eleições

A uma semana das eleições gerais no país, o cenário político que se configurará a partir do ano que vem já está praticamente decidido. Primeiro, Dilma Rousseff será eleira presidente, muito provavelmente no primeiro turno. Segundo, os políticos dos partidos da base do governo (PT, PMDB, PDT, PSB, PR, entre outros) deverão obter a maioria no Congresso, em ambas as câmaras, e devem levar a maioria dos governos estaduais.

Apesar dos escândalos de corrupção que estão estourando às vésperas do pleito, a maior parte do eleitorado ficará com os candidatos do governo. A meu ver, isso se deve à conjuntura macroeconômica vigente, isto é, a taxa de desemprego excepcionalmente baixa e o nível de consumo das famílias aquecido. Isso ocorre porque no Brasil a única fonte de rendimentos para a maior parte das famílias é o trabalho, de modo que a sua percepção de bem-estar esteja vinculada ao ciclo econômico. Além disso, outras variáveis que sejam significativas para as eleições no Brasil (para a classe baixa, o acesso às transferências públicas de renda; para as classes média e alta, a probabilidade de novos concursos públicos) claramente beneficiam os candidatos do atual governo federal. As questões referentes à ética na gestão pública e ao planejamento do crescimento no longo prazo - por investimentos sobretudo no capital humano e no marco regulatório - que são vantajosas à oposição, não seduzem o público. Isso se deve certamente ao baixo nível educacional do eleitorado brasileiro (sobretudo em termos de qualidade), e à conseqüente vulnerabilidade dessas pessoas ao ciclo macroeconômico (tal como demonstrei na minha dissertação de mestrado), elas tendem a preferir o curto prazo em detrimento ao futuro.

No ano que vem, a aliança partidária que sustenta o atual governo federal se sairá fortalecida. Com a maioria no poder Legislativo, o governo poderá implementar reformas estruturais (como a reforma política, a tributária e a trabalhista). Todavia, tal maioria poderá aumentar o risco do governo tomar medidas consideradas autoritárias, de maior regulação estatal sobre a vida das pessoas. Esse risco pode ser contrabalanceado de acordo com o comportamento dos partidos de centro e de direita que integrarem o governo (PMDB, PR, PTB e PP), assim como pelos políticos de esquerda com viés mais libertário.

Ou seja, no ano que vem, a esquerda brasileira se sairá fortalecida. Mas não considero isso como um golpe mortal contra a oposição de centro-direita. Desde o início do atual ciclo de crescimento econômico no Brasil, noto que há uma crescente corrente ideológica de classe média que defende valores como o empreendedorismo, as liberdades individuais, a redução dos impostos e a redução do controle estatal sobre as decisões dos indivíduos. E essa linha de pensamento cresce sensivelmente com cada escândalo de corrupção que estoura no governo federal. Por isso, com o crescimento da classe média no período recente, acredito em um fortalecimento do liberalismo político, a ponto de achar que qualquer desaceleração ou recessão macroeconômica provoque uma virada política na eleição de 2014. O provável crescimento dos liberais pode ser limitado, e talvez até inibido, por dois fatores. Primeiro, novamente a baixa qualidade da educação no Brasil, que pode restringir o surgimento de consciência política na nova classe média que surgiu nessa década. Segundo, o descompromisso político da classe média brasileira. De acordo com conversas que tenho com liberais, e até mesmo lendo blogs de liberais, percebo que eles, em geral, têm aversão à política real do país, muitas vezes preferindo anular ou justificar o voto a assumir compromisso com algum candidato ou partido. Eles parecem preferir ser uma "bolha de pureza ideológica" a encarar as dificuldades do mundo real e correr o risco de descobrirem estar errados em alguns pontos, algo como um PSOL de direita. Quem ganha com isso, é claro, é a esquerda.

Essa classe média liberal brasileira, quando têm preferências políticas, tendem a ser simpatizantes do PSDB. Por isso, acredito que esse partido pode se fortalecer para a eleição de 2014 se adotar uma plataforma de eleição alinhada com um centro-liberalismo. Além disso, o partido pode se fortalecer com a incorporação de outras siglas menores mais simpáticas a essa ideologia, como o PPS, o PSL e talvez até o PV. Já o DEM, que tentou atrair a classe média na oposição ao governo Lula, acabou escorraçado pela opinião pública devido exatamente aos escândalos de corrupção a que o partido passou, sobretudo no Distrito Federal, o que deve reduzir permanentemente o seu poder no cenário político nacional. Talvez, uma forma desse partido se fortalecer é assumir posições mais conservadoras, procurar fusões com partidos cristãos como o PTC, o PSC ou o PSDC, e mudar o nome para Partido Democrata Cristão (PDC). Vejo um amplo mercado para essas idéias na política brasileira contemporânea, sobretudo nas classes mais baixas da sociedade e no interior do país. Mas não sei se o eleitorado agüenta um partido com tantas refundações e renomeações.

Fiz toda essa análise assumindo a hipótese de que Dilma governará em todo o seu mandato. Mas, e se ela não sobreviver a um escândalo de corrupção ou a uma crise provocada por déficit na balança de pagamentos? Será que a esquerda apoiaria um governo liderado pelo Michel Temer? Isso provocaria um terremoto na articulação política nacional.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Lula É Bonito

Ou não.

Clique na imagem para ampliar.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Breve Panorama Macroeconômico para o Brasil Pós-Eleições

Analisando alguns indicadores macroeconômicos, a trajetória da economia brasileira no futuro próximo independenderá de quem for eleito presidente. Acredito que a primeira medida de qualquer um que ocupe o governo será a contenção fiscal e monetária.

Explicando melhor, diante da crise financeira de 2008, o governo brasileiro dez uma política fiscal bastante agressiva - e correta a meu ver dadas as circunstâncias. Só que, aparentemente, os impactos dessa crise foram superestimados para o país, de modo que o resultado da política foi um superaquecimento da demanda doméstica e um over-gasto público, elevando a dívida bruta do governo. Além disso, optou-se por não fazer o ajuste fiscal no ano eleitoral, certamente para não prejudicar a Dilma e os candidatos aliados nas eleições subnacionais. Para não deixar a inflação ficar acima da meta, já que se acelerou no início desse ano, o Banco Central deu uma breve elevada nos juros.

Porém, o resultado de todos esses fatores - política fiscal expansionista, aquecimento da demanda efetiva - potencializados pela grande expansão do crédito, é o crescimento da demanda por importações. E como os mercados consumidores das nossas exportações ainda estão em crise (EUA e Europa, já que a China continua comprando minério de ferro da Vale), vejo um déficit eminente do balanço de pagamentos do Brasil para o ano que vem. A solução mais fácil para qualquer candidato é a restrição da demanda efetiva interna, com aumento dos juros, restrição ao crédito ao consumidor e corte de gastos públicos. Essas políticas elevarão o desemprego e reduzirão o consumo das famílias (as únicas variáveis que considero realmente importantes para explicar a popularidade de um governo no Brasil). Com um governo de menor popularidade, o espaço para uma "Venezuelização do Brasil", tal como é temido pelos blogueiros tucanos e libertários, enfrentará maiores resistências por parte da sociedade.

Por outro lado, há o risco da Dilma mandar o Meirelles embora, colocar algum economista alternativo no Banco Central e manter as atuais políticas expansionistas. Para isso, ela poderia combater o problema na balança de pagamentos por meio de controle quantitativos às importações, o que seria a pior escolha possível de ser tomada. Mas acho isso pouco provável devido a dois fatores: primeiro, a mudança dos rumos da política monetária causaria pânico (mas não igual a 2003) nos mercados financeiros, causando fuga de capitais e deteriorando ainda mais o balanço de pagamentos; segundo, a política de fechamento do país às importações teria um impacto negativo sobre o consumo das famílias ainda pior do que a restrição de crédito, causaria concentração de renda, e seriam muito difíceis de serem eliminados em um posterior período de crescimento, já que criariam grupos de interesse político.

terça-feira, setembro 14, 2010

Educação e Desemprego no Brasil - Breve Comentário

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesses últimos dias a pesquisa "Olhares sobre Educação 2010". Dentre os resultados obttidos, a partir de dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) está a constatação contra-intuitiva de que a taxa de desemprego é maior para os trabalhadores com segundo grau completo (6,1%) do que para quem não chegou a esse nível (4,7%). O estudo apontou três fatores que justificam esses dados:

- A discriminação de gênero, de modo que a taxa de desemprego das mulheres mais escolarizadas puxa a média total da população para cima;
- A estrutura econômica brasileira, mais intensiva em mão-de-obra pouco qualificada;
- A maior proporção de trabalhadores com ensino médio completo na força de trabalho brasileira.

Eu ainda não tive acesso ao estudo, e não sei como os dados foram tratados. Mas acho que quaisquer conclusões a partir desses resultados tal como foram noticiados pela mídia devem ser tomadas com muita cautela. Na teoria econômica do mercado de trabalho, aprendemos que o desemprego não é um fenômeno uniforme, isto é, existem muitos fatores e motivações que fazem com que um trabalhador fique desempregado. Por exemplo, são relevantes o ciclo econômico (para o desemprego cíclico), a estação do ano (desemprego sazonal), as características do mercado de trabalho (desemprego friccional) e as características e incentivos dos próprios trabalhadores (desemprego estrutural e desemprego voluntário, ou inatividade). Por isso, os mercados de trabalho para trabalhadores com ensino médio e sem ensino médio são diferentes, e a maior taxa de desemprego de um grupo não é causada pela menor taxa referente ao outro.

Minha hipótese, tomada a partir da mera leitura da notícia a respeito do estudo, é a seguinte: ainda que menor, a taxa de desemprego dos trabalhadores sem ensino médio é predominantemente estrutural, e a taxa de desemprego dos mais qualificados é predominantemente friccional. Explicando melhor, acredito que os trabalhadores com mais educação estão procurando empregos com mais cautela, gastando mais tempo até decidirem ocupar alguma vaga disponível com salário e benefícios compatíveis com seus objetivos. Já os menos qualificados tendem a procurar por um longo tempo e aceitar a primeira oportunidade que surge, já que apresentam características de pouca empregabilidade. Nesse caso, o bem-estar dos desempregados com mais educação ainda é superior aos com menos educação.

Para testar essa hipótese, gostaria de ter acesso aos seguintes dados:
- Os trabalhadores desempregados com ensino médio completo apresentam fontes de renda alternativas a do trabalho em nível superior aos sem esse nível de educação? A resposta que espero é SIM.
- A proporção de trabalhadores desempregados com ensino médio completo cobertos por seguro-desemprego é maior do que a proporção de desempregados sem esse nível de ensino? A resposta que espero é SIM.
- Os trabalhadores de menor educação estão procurando emprego a mais tempo do que os com ensino médio completo. A resposta que espero é SIM.

A análise desses indicadores que levantei podem rechaçar minha hipótese, e estou plenamente consciente disso. Mas eu só espero que os economistas que não dão a importância que o capital humano merece para o crescimento de longo prazo e o bem-estar social no Brasil não usem esse estudo para despejar preconceitos pela mídia e pela academia.

Anpec: Ainda Não

Não foi dessa vez que consegui aprovar um artigo no encontro nacional da Anpec. O trabalho feito a partir da análise empírica da minha dissertação foi recusado, de acordo com a lista de trabalhos aprovados publicada ontem. É o terceiro "toco" seguido que tomo dos pareceristas do congresso. Mas, dessa vez, acho que meu erro foi ter mandado o trabalho para a área de Bem-Estar Social, e não para a área de Desenvolvimento Econômico.

Ano que vem, posso tentar de novo, para essa outra área (se o artigo não for aceito em uma revista). Caso contrário, vou colocar o invicto artigo sobre o Imre Lakatos de volta à ação.

Desejo parabéns a todos os que tiveram seus trabalhos aprovados!

domingo, setembro 12, 2010

Coisas Estranhas de Brasília 5

Sem comentários sobre as escadas do setor de embarque do aeroporto daqui da capital federal. Ou é mais uma brilhante idéia pós-moderna de algum Niemeyer da vida, ou houve desvio de verba.

sábado, setembro 11, 2010

quinta-feira, setembro 09, 2010

Artigo do Lakatos Circulando

Nessa última semana, fiquei sabendo que aquele artigo que fiz sobre o Imre Lakatos e a aplicação de suas idéias na ciência econômica está circulando bastante pela Internet.

Primeiro, vi que ele está fazendo parte da bibliografia básica do curso de Metodologia Econômica para a graduação em Economia na Universidade Federal de Santa Catarina.

Depois, o Vítor escreveu um post bem aprofundado sobre a metodologia da economia mainstream no blog dele. Não só citou o meu artigo, como também tentou corrigir o trabalho clássico do Weintraub, identificando aquilo que considera como núcleo irredutível de hipóteses estruturantes da teoria econômica. Em breve, vou comentar aqui o que achei.

terça-feira, setembro 07, 2010

Porto Alegre, Três Anos e Meio Depois

Em julho passado, passei uma semana de férias em Porto Alegre com minha família. Morei lá durante 22 anos de minha vida, de 1984 até janeiro de 2007, quando saí de casa para fazer mestrado na UFMG. Hoje, quase quatro anos depois, notei como a cidade mudou. Praticamente, me sinto um turista na minha cidade natal.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o aumento exponencial do número de carros nas ruas da capital gaúcha. Em conseqüência, o trânsito está belorizontino (mas ainda não deve estar paulistano), e procurar lugar para estacionar em supermercados e shoppings, assim como nas próprias calçadas fora da região central (dentro, sempre foi difícil), é um desafio para a paciência. A propriedade de carros está cada vez mais popular, de modo que os lugares mais movimentados fora da hora do rush são em frente às obras de prédios nos bairros Mont Serrat e Bela Vista. É isso mesmo: os trabalhadores da construção civil estão indo de carro para o trabalho. Muito provavelmente, isso se deve à falta de infra-estrutura de transporte público nos bairros da zona leste da cidade - onde se concentram boa parte dos bairros mais populares - e nas cidades periféricas de Viamão, Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha. O metrô local, o Trensurb, serve como ligação do centro de Porto Alegre a algumas cidades ao norte, deixando a maior parte da população de trabalhadores descoberta.

Além disso, o tamanho dos carros aumentou. Agora, 1.0 é (mesmo) carro de operário da construção civil. Nos bairros de maior renda per capita, localizados ao redor do Centro, há uma grande frota de caminhonetões, que, pelo tamanho, ajudam a piorar o trânsito a o acesso a vagas de estacionamento. Por isso, o apelido do Rio Grande do Sul de "Texas Brasileiro" parece que deixou de valer apenas para as preferências políticas e está agora incluindo as preferências automotivas de sua população.

A cidade se verticalizou. A Bela Vista é um grande canteiro de obras. A Terceira Perimetral continua seu caminho de se tornar uma miniatura da Faria Lima (avenida de São Paulo). Sei que isso é uma conseqüência natural do crescimento econômico dos últimos anos e da expansão do crédito imobiliário às famílias. Contudo, isso está fazendo com que em Porto Alegre a noite chega mais cedo. Além disso, algumas partes da cidade, particularmente no bairro Três Figueiras perderam sua identidade bucólica. Por fim, algumas construções recentes me parecem muito feias, como é o caso daquele prédio branco que fizeram em cima da antiga sede do Yázigi na Nilo Peçanha (onde estudei inglês de 1993 até 1999).



O policiamento na cidade melhorou bastante, sobretudo no Centro. Agora, é possível tirar fotos na Praça da Alfândega (que está sendo reformada) com tranqüilidade, pela presença de brigadianos.





Destaco também que me sinto velho caminhando pela cidade. Isto é, não me identifico mais com os jovens portoalegrenses. No meu tempo de colégio e de graduação, havia uma distinção clara entre duas facções entre os adolescentes e jovens adultos na cidade: os "playboys surfistas", predominantes nos colégios particulares mais caros e habitantes do shopping Iguatemi, das casas noturnas do bairro Moinhos de Vento e da avenida Goethe; e os "rockeiros alternativos", muito comuns em vários cursos da UFRGS (todos menos Medicina, Direito, Administração e Relações Internacionais) e habitantes dos bares da Cidade Baixa, das casas de shows na Avenida Independência e do Shopping Total. Ambas facções eram rivais, ainda que choques de violência não eram muito comuns. Pelo que eu me lembre, até o nome da banda "Engenheiros do Hawaii" era uma provocção dos rockeiros contra os surfistas.

Hoje, caminhando pelos mesmos lugares que freqüentava até 2006, não vi indivíduos dessas tribos. O que vi são aqueles mesmos estilos que aparecem nos programas da MTV, e que são comuns na vida noturna da Rua Augusta, em São Paulo: "manos" fãs de hip-hop, emos e alguns tipos espalhafatosos coloridos de sexo indefinido. Quando saía de casa com alguma camiseta dos Ramones ou do AC/DC, me sentia meio "tiozão". Talvez, muito provavelmente, esteja ocorrendo uma convergência cultural do Rio Grande do Sul em relação à região Sudeste do país, iniciando-se pelas camadas mais jovens da população.

sábado, setembro 04, 2010

Sobre Um Comentário que Recebi

Pelas estatísticas do blog, vi que alguns dos meus posts mais acessados pelo público são aqueles mapas das favelas de Porto Alegre a partir do Google Earth, que fiz no chuvoso verão de 2008, quando morava em Belo Horizonte. Esses dias recebi um comentário muito legal de uma ex-moradora da Vila Safira.

Boa noite sr. Ricardo Martini. Eu te escrevo porque morei toda minha infancia na vila safira, estudei até o 4º ano de primaria na escola Maris e Barros, depois pasei a estudar no bairro do Bom Fim. Bom o que eu tenho para te contar, é que comecei notar a melhora da qualidade de vida na vila Safira, na época do Sarnei, depois com Fernando Henrique; no começo com Sarnei já podiamos beber leite todos os dias, com os tiques de leite que nos davam, graças a Deus em alguns armazéns nos deixavam trocar por banana tbém, a verdade é que éramos muito pobres e careciamos de muita educaçao de todos os tipos. Eu consegui sair adiante com todas as oportunidades que via. Hoje sou enfermeira, mestra em gerontologia. Resumindo, a populaçao evoluciono bastante, pelo menos o complexo de inferoridade já se nota um poco menos. Para melhorar mais, na minha opiniao, tem que melhorar o ensino nas escolas pública, preparar melhor os alunos para o vestibular; muitos alunos terminam o 2º grau e nao tem conhecimentos básicos para competir com os alunos que estudaram em colégios particulares. Eu fiz minha carreira em universidades privadas, trabalhando muito e com muito sacrificio. Saudaçoes.


Prezada comentarista, agradeço muito as informações, e parabéns pela tua vida de superação. Espero receber novos depoimentos dessa população tão excluída, que vive nas regiões "invisíveis" da capital dos Pampas.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Blogosfera News

A última semana foi bem movimentada na blogosfera econômica e política. Aqui vou dar alguns highlights:

- O Alexandre Schwartzman continua sua guerra intelectual com o professor Oreiro a respeito da redução da proporção de bens industrializados na pauta de exportações do Brasil no período recente. Por um lado, o Oreiro critica a valorização cambial, que estimula a importação de bens idustrializados em detrimento da produção doméstica. Por outro lado, o Schwartzman defende que a redução dessa proporção se deu devido à contração dos seus mercados importadores (Estados Unidos e Europa) graças à atual crise, ao passo que os mercados importadores de commodities (principalmente a China) continuam em expansão.

- O Adolfo Sachsida novamente entra em um ponto polêmico e defende a equiparação da contribuição previdenciária entre homens e mulheres. E os melhores contra-argumentos já estão nos comentários do seu post.

- O blog do Diego Rodrigues ressuscitou com um ótimo post comparando as idéias econômicas do programa da Marina Silva com as do Serra de da Dilma.

- O blog Na Prática a Teoria É Outra apresentou uma série de textos sobre a história do PSDB e pensamentos sobre a atual crise do partido. Não concordo com vários dos argumentos levantados, mas a discussão é interessante.

- O Thomas Kang apresentou alguns dados que vão de encontro à hipótese de Prebisch-Singer. Isto é, os países periféricos ganaharam termos de intercâmbio ao longo do século XX. O Thomas argumenta que esse fato não deve ser comemorado, pois pode levar ao aprofundamento das vantagens comparativas desses países em bens primários, inibindo o progresso tecnológico, que está mais associado aos bens industrializados. Nesse ponto, eu discordo parcialmente. A evolução recente das cadeias produtivas agroindustriais já tornou possível o progresso tecnológico associado ao setor agrícola, como inclusive é o caso da economia brasileira contemporânea. No entanto, a especialização da pauta de exportações em commodities me parece associada à concentração de renda, já que as fontes desses bens são insumos mais escassos do que os dos setores de indústria e serviços.